[poema] Acima do nível do mar

Tarabuco se transforma numa feira todo domingo,
jovens turistas europeus fazem compras
e passam filtro solar
                   na praça principal.

Quantas cores pode ter a Bolívia?

Cholas passam carregando nas costas ervas
                                                                  panos
                                                                  filhos
Usam saias até os joelhos, aventais,
longas tranças e chapéus espirituosos.

O que transforma a young Kacey em Kacey
                                  a jovem Thais em Thais
                                  e a cholita Juanita na chola Juana?

Encontramos um restaurante para não-turistas,
servem apenas um prato
e custa um terço daqueles em volta da praça.

Há dentro da geografia de toda cidade boliviana
sempre duas cidades –
um vasto e orgânico serpentear de ruas hambrientas,
e um estático linear de pontos
               com cardápios universais
                                   e ar condicionado
que só é mesmo verdadeiro
nas páginas claras e capa colorida
de um guia Lonely Planet novo em folha.

Vejo as solas das minhas botas,
             começam a descolar.
Mas agora,
             ao menos,
me sinto perto de algum
                       lugar.

Tarabuco, 26 de setembro de 2010.

Leia outros poemas clicando aqui e aqui.

Sobre Alexandre Lucchese

Alexandre Lucchese é blogueiro e jornalista free-lancer.
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4 respostas para [poema] Acima do nível do mar

  1. Marcelo Noah disse:

    Um poema que também aproxima o leitor dessa Tarabuco distante, tão alta! Afudê, curtindo aqui.

    • Grande!

      estamos todos plugados, Porto Alegre, Tarabuco, Nova Délhi: nenhum um lugar é tão distante não tão alto para que quer enxergar longe!

      Muitos abraços, companheiro Noah!

  2. E tem essa coisa mesmo, do que é realmente a Bolivia.
    Quantas bolivias realmente existem, a Bolivia da coca, a do cultura pré colombiana, A Bolivia dos ultimos dias do Che, a da natureza, a Bolivia do trafico e estigmatizada como pobre e corrupta.
    É uma bonita história pra um pequeno pais que a gente pensa q conhece.
    Buenas hermano, adelante…

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