Benjamín e a luta contra o mainstream

A autora independente mais lida da Bolívia tem 60 anos e seus livros falam sobre seres encantados que tocam música barroca em ruas subterrâneas de formigueiros. O nome dela é Maria Sarah Mansilla, e a saga do seu personagem, o grilo Benjamín, já esta na sua terceira parte. Ao todo, já vendeu mais de 13 mil cópias em menos de três anos.

Benjamín é um virtuoso grilo violinista que, por ser um destacado aluno do conservatório em que estuda, é escolhido para guardar o segredo do pergaminho escrito no sétimo dia da criação do universo. O problema é que o malévolo Bulluz, um malfeitor com cabeça e garras de abutre e asas de mariposa, faz de tudo para atrapalhar a turma do bom inseto e se apoderar do segredo. A saga já se desdobrou em três tomos (Benjamín y el séptimo cofre de oro, Benjamin y el bastón de Zenón, e o mais recente Benjamín y el canto de los bosques). M. S. Mansilla prevê ainda mais quatro partes.

Edição e divulgação

Encontro Mansilla numa feira de livros em Sucre, capital legislativa da Bolívia. Era a única escritora presente no evento. Como uma musicista, atriz ou qualquer outro tipo de artista que se preze, ela não vê motivo para um escritor se esconder do seu público. Ao contrário, já havia visitado três canais de televisão naquele mesmo dia e estava com a agenda cheia de compromissos com emissoras rádios e jornais impressos no dia seguinte.

Além disso, é ela mesma que manda imprimir os livros, busca-os na gráfica, controla gastos logísticos e materiais, e também faz as vezes de vendedora. Na maior parte das feiras que participa, seus livros costumam figurar na lista dos mais vendidos.

A autora autografando uma de suas criações

Pergunto a Mansilla se as grandes editoras ainda não se interessaram em comprar os direitos da saga. “Sim”, ela logo responde “mas o que acontece é que o preço final do produto ficaria muito alto, e eu quero que seja acessível”. Quando dá palestras em escolas, ela costuma oferecer seus livros por quase metade do seu preço habitual. Segundo ela, sob o poder de uma editora, isso não seria possível. E Mansilla acha importante que as crianças sejam estimuladas para a leitura.

Processo criativo

Fico impressionado como Mansilla consegue escrever um livro por ano, na verdade um calhamaço com mais de 400 páginas, e ainda com a qualidade que tem lhe rendido sucesso de crítica, não apenas de público.

“Trabalho duro”, diz ela suspirando. A autora já foi enfermeira e artesã, e jamais escrevera narrativa alguma antes de aparecer na sua mente a história de Benjamín. Tampouco tem vergonha de admitir que nunca foi uma grande leitora. “Minha escola foram os contos orais que ouvia na infância”, ela lembra.

Depois de fazer uma cirurgia no joelho, Mansilla entrou em desespero ao ouvir o médico dizer que ela precisaria ficar em repouso. “Mas o que vou fazer parada em casa?”, ela mesma tinha a resposta: “escrever um livro”. A idéia de toda a saga lhe apareceu repentinamente. Depois disso, o que restou foi o compromisso de acordar cedo todos os dias para escrevê-la.

Para criar cada um dos livros, a autora demora entre quatro e seis meses, escrevendo oito a dez horas por dia. Ela flexibiliza os horários quando tem compromisso com os filhos e netos, mas nunca deixa de compensar as horas perdidas nas semanas seguintes. Depois do produto pronto, é hora de imprimir, lançar, divulgar, viajar, dar entrevistas, fazer balanços de gastos. E quando a turnê acaba, é hora de Mansilla sentar-se outra vez por mais seis meses para continuar sua própria saga.

Sobre Alexandre Lucchese

Alexandre Lucchese é blogueiro e jornalista free-lancer.
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2 respostas para Benjamín e a luta contra o mainstream

  1. M. Sarah Mansilla disse:

    Fue un placer conocerte Alexandre. Te felicito por la decisión de salir de tu casa y viajar hacia otros mundos. Es la manera para conocer, comprender y aceptar los modos de vida de las personas, abriendo el corazón, como las alas del músico Benjamín, el grillo, que ama su habitat y quiere a través de la música, ayudar a los niños y jóvenes a aprender a sentir, a conocer la naturaleza que se nos muestra desde siempre como un libro abierto, sin mezquindades.
    Te agradezco mucho por la cobertura que me brindaste en tu afamada página web y te deseo mucho éxito en tus emprendimientos. Afectuosamente: Sarita (escritora de la saga de Benjamín)

  2. DIEGO GARCIA disse:

    E ALEMAO VE SE COMPRA ESSES LIVROS AI E ME EMPRESTA , IUMAGINE A IMAGINÇAOA DA MULHER UM GRILO VIOLINISTA TOCANDO MUSIACA BARROCA EM NINHOS DE FORMIGAS QUASE UMA ALUCINAÇAO DE LSD HEHEHE

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