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“‘Não sabes para onde vais, nem porque vais, entra por toda a parte, responde a tudo. Não lograrão matar-te a menos que já sejas um cadáver’. Pela manhã tinha o olhar tão perdido e o aspecto tão morto, que aqueles que me encontravam possivelmente não me viam”.

Amor, disciplina e paz de espírito a todos os que ainda têm a lucidez atrevida de viver numa cidade que a morte insiste em querer nos roubar.

Puta que pariu! quem foi que inventou de me dar a chave da caixa de Pandora?

mauBom mesmo é encontrar gente que a gente gosta, mesmo que seja à caneta na porta do banheiro. Mesmo que seja nos silêncios de um telefonema atrapalhado. Nossos budas estão por aí, inconfundíveis, é só olhar pra eles, ninguém vai conseguir te cegar. E vibramos todos juntos na imensidão. O resto é blábláblá.

carretero“Não quero faca, nem queijo. Quero a fome.” O carreteiro acima chegou perfumado por folhas de louro, cebolas, salsa fresca, pimenta moída e espólios de um um churrasco com cem mil girassóis – um deles ruivo, inclusive. Deu pra encher a alma e a pança dessa casa, e também da família inteira do Régis, o porteiro preza pra quem eu esqueci de levar um assado. Gracias de todo, hermanos, é de todos vocês que me nutro.

Só vou sossegar depois de ter semeado minha psicose em todo mundo.

Provavelmente vou escrever um monte de merda aqui. Mas é preciso. Não sei fazer mais nada. O papel é o único canal, a única porta que me espera sempre aberta. Por mais que as deteste, as palavras sabem ser as melhores aliadas de quem luta contra elas, são muletas da verdadeira comunicação que ainda está por vir. Encarnam o interruptor que aciona e nos faz encontrar a lâmpada que queremos apedrejar. O pesadelo em que vivemos não tolera nada que não possa ser impresso, que não possa ser grafado, que não possa ser guardado. Nada do que estou dizendo aqui é essencial, assim como nada do que possa ser escrito é realmente essencial. Mas o pesadelo também não tolera a essência, e você sabe bem que ela precisa ser extirpada para que o sono continue. Mas, pode crer, ela existe. E não só existe, pulsa com força, está atravessando como um raio a tua sala agora, talvez bata na tua porta daqui a três minutos, talvez até derrube um fio do teu cabelo ou cutuque teu ouvido sorrateiramente. Se você deixá-la agir de verdade, ela vai atacar cada nervo teu, um a um, para depois mordê-los todos de uma só vez ao mesmo tempo, e quando você achar que tudo passou, ainda fará teu pensamento girar até a náusea, e girará de novo e mais uma vez e outra e outra e outra. Não tome um analgésico, é só alguém tentando te lembrar que você está vivo. E livre. Vá então até a calçada, o ar agora é leve, a rua é silenciosa, o teu coração se faz presente e é teu melhor amigo.

ai ai ai ai ai
iê lê lê lê i li lõ lõ lõ lõ rai
iê lê lê lê i li lõ lõ lõ lõ rai
iê lê lai i lelov
uou ú

ai ai ai ai ai
iê lê lê lê i li lõ lõ lõ lõ rai
iê lê lê lê i li lõ lõ lõ lõ rai
iê lê lai i lelov
uou

ai ai ai ai ai
viê lê lê lê i li lõ lõ lõ lõ ai
viê lê lê lê i li lõ lõ lõ lõ aa
iê lê lai i lelõ
xulovguet la lov iê
iê fi fa duí ju

A verdade é que tudo que quero dizer não cabe num post. Nem numa folha de papel. Talvez não caiba em lugar nenhum. E mesmo que coubesse, você não ia poder guardar no bolso. Teu bolso não existe, e bem no fundo você sabe disso. Esse blog andou de férias uns tempos, é que eu andava inspirado demais pra perder tempo escrevendo. E continuo inspirado. Mas vou aprendendo a lidar melhor com isso.

Do blog do Allan Sieber – eu sei que saiu na sexta-feira, mas só vi hoje:

E domingo tem as eleições. Boa sorte e juízo para todos. Eu mesmo nunca votei pelo simples motivo de que não acredito em alguém que tem como vocação mandar nos outros. Já começou errado. É como policial, que escolhe como carreira a profissão de prender e bater nos seus semelhantes.”